Sabe aquele momento que fica guardado pra sempre na memória? Por mais tempo que passe, às vezes ele volta ao pensamento e é praticamente possível reviver aquele momento apenas na lembrança...
Para um flamenguista, esse momento pode ser o gol de falta do Pet. Para um tricolor, o gol de barriga do Renato e por assim vai. Usei essa analogia somente pra ficar mais fácil de imaginar a força do momento que estou aqui tentando descrever. Para um apreciador de cervejas, esse momento é dar um gole na inesquecível Westvleteren Abt 12.
Sem entrar em grandes volteios históricos, a Westvleteren é uma cerveja produzida na abadia trapista de Saint Sixtus of Westvleteren, localizada na cidade de Vleteren, oeste da Bélgica, próxima à fronteira com a França. As abadias são monastérios, onde, obviamente, vivem os monges, que produzem e vendem cervejas e queijos como forma de sustento do monastério. Ser uma abadia trapista significa ter um selo de qualidade, existem somente 7 abadias trapistas no mundo* (6 na Bélgica e 1 na Holanda), informando que aquela cerveja foi produzida por um desses poucos monastérios.
*Recentemente foi veiculada a criação da oitava abadia trapista, esta localizada na França.
A abadia Saint Sixtus tem 3 tipos de cerveja: Westvleteren Blone (ou 6), Westvleteren 8 e Westvleteren 12. A diferença de característica entre elas se dá pela coloração (que vai escurecendo) e graduação alcoólica (que vai aumentando). Porém, mesmo que as 6 e 8 sejam muito elogiadas e bem conceituadas, a grande estrela é mesmo a Westvleteren Abt 12.
A primeira impressão da cerveja é essa da imagem acima. Não há rótulo! Realmente não há. A única coisa que identifica essa cerveja é a tampinha, amarela, com a marca da abadia e a numeração da cerveja. As outras 2 cervejas da Westvleteren possuem tampinhas de coloração diferente: verde para a 6 e azul para a 8.
Fui ao Delirium Café** decidido a tomar a Westvleteren Abt 12, após muito ler e ouvir sobre ela. Cerveja elogiada por todos que a provaram, presente no topo de todos os rankings sobre cerveja. Será que era isso tudo mesmo? Estava disposto a pagar pra ver. Literalmente. A simpática garrafinha sem rótulo e com sua charmosa tampinha amarela, contendo singelos 330ml, custa a bagatela de R$170. Mas eu precisava, era uma questão de honra. Não me sentiria um bom bebedor até que cometesse esse "pecado".
**Delirium Café - localizado na Rua Barão da Torre, 183 - recentemente ganhou merecidamente o prêmio da Veja Comer & Beber como melhor carta de cervejas do Rio de Janeiro.
Após levar o susto do preço e o susto da garrafa sem rótulo (é um susto para um colecionador de rótulos, vai?), era chegada a hora. Sério, eu estava ansioso, de verdade, senti frio na barriga e tudo...
Após vertido o líquido viscoso nos 3 copos (claro que eu dividi esse "prejuízo" com os amigos Gabriel Cavalcante e Ricardo Brigante), o cheiro já se espalhava pelo ambiente, nem precisava chegar perto.
Não vou também entrar em grandes detalhes sobre o gosto dessa cerveja porque a complexidade é imensa. A cada gole que eu dava, era um novo gosto que eu sentia, cada ingrediente, cada componente. O que exatamente? Não sei. Sei que tinha caramelo, tostado, frutas vermelhas, mas o resto não sei... O que eu sei é que toda vez que lembro dessa cerveja, que vejo uma foto, um comentário, eu sinto o gosto dela na minha garganta. Uma coisa incrível, um momento inesquecível e um sabor também inesquecível.
Sem sombra de dúvidas é a melhor cerveja que eu já bebi. Guardo com afinco sua tampinha em meio à minha coleção de rótulos. É a única exceção, mais do que justa, necessária. O dinheiro? Sim, foi bastante, acho que não faria novamente essa loucura, mas valeu. Com certeza, valeu!
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011
domingo, 19 de junho de 2011
Teste Cego de cervejas de grande mercado brasileiras
Desde que comecei a mergulhar no mundo das cervejas importadas e nacionais artesanais, reparo muito mais na qualidade da cerveja, no prazer que ela proporciona ao ser bebida, e não somente na sensação boa de refrescância que ela traz, por estar estupidamente gelada, como se costuma pedir.
Inclusive beber uma cerveja extramamente gelada é uma das maneiras de enganar o consumidor, visto que desta forma a língua fica anestesiada em decorrência da baixa temperatura do líquido ingerido, fazendo com que não se sinta plenamente o gosto da cerveja, mas isso é conversa pra outro momento.
Enfim, por causa dessa necessidade de exigir mais qualidade da cerveja foi que resolvi fazer um teste cego com as cervejas de mercado, aquelas que encontramos com grande facilidade nas prateleiras de supermercados, vemos propagandas na televisão, em jornais, etc.
A curiosidade era saber se estamos sendo preconceituosos ou levados pelo marketing agressivo das grandes cervejarias. Será que ao exigirmos que a cerveja de um churrasco seja uma Brahma, uma Bohemia ou uma Antarctica, estamos agindo de forma natural ou de forma tendenciosa? Por que não uma Cintra, uma Crystal, uma Bavaria? Será que elas são tão ruins assim? Ou será que são, somente, cervejas de menor poder de marketing agressivo e que, com isso, acabam sendo rotuladas como de pior qualidade?
Para acabar com essa dúvida, foi montado o seguinte esquema: 7 foram os voluntários a beber 12 cervejas de grande acesso no Brasil, sendo elas Antarctica, Bavaria, Bohemia, Brahma, Cintra, Crystal, Devassa, Heineken, Itaipava, Nova Schin, Skol e Sol.
Metodologia:
Foram compradas 2 latas de cada cerveja participante do teste cego. Os sete participantes, então, foram divididos em 2 grupos. O grupo 1, composto por Filipe Verissimo, André Brand, Breno Scorza e Marcos Tadeu, foi servido pelo grupo 2.
Desta maneira, foram colocados 12 copos na frente dos 4 voluntários, que beberam todas as cervejas, marcando seus atributos, tais como cristalinidade, coloração, amargor, gosto e aroma, dando uma nota geral ao final, bem como tentando adivinhar de que cerveja se tratava.
O mesmo procedimento foi adotado novamente, desta vez o grupo 2, composto por Marcelo Villela, Guilherme Bieler e João Victor, foi servido pelo grupo 1.
![]()
Características avaliadas:
Cristalinidade (cerveja cristalina ou turva) / Coloração (amarelo claro, amarelo ouro ou alaranjada) / Corpo (aguada, leve ou forte) / Amargor (amarga, alcoólica ou normal) / Aroma (bom, ruim ou alcoólico).
Eis os resultados obtidos:
Classificação por características:
Antarctica - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor leve e alcoólico, aroma ruim.
Bavaria - cerveja cristalina, de cor amarelo ouro, sabor leve e normal, aroma bom.
Bohemia - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor forte e normal, aroma bom.
Brahma - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor leve e amargo, aroma bom.
Cintra - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor leve e normal, aroma bom.
Crystal - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor leve e normal, aroma ruim.
Devassa - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor leve e normal, aroma ruim.
Heineken - cerveja cristalina, de cor amarelo ouro, sabor forte e amargo, aroma bom.
Itaipava - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor leve e normal, aroma ruim.
Nova Schin - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor aguado e normal, aroma bom.
Skol - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor aguado e normal, aroma bom.
Sol - cerveja cristalina, de cor amarelo ouro, sabor leve e normal, aroma ruim.
Classificação por nota final (média entre as notas dos 7 participantes):
1- Heineken (7,71)
2- Sol (7,25)
3- Bohemia (6,64)
4- Brahma (6,01)
5- Crystal (5,83)
6- Nova Schin (5,76)
7- Devassa (5,71)
8- Itaipava (5,67)
9- Skol (5,64)
10- Bavaria (5,50)
11- Cintra (5,36)
12- Antarctica (4,99)
Percepções:
1) A dificuldade em diferenciar as cervejas foi enorme. Elas se parecem em muitos aspectos. Pode-se criar grupos, porém entre eles fica muito complicado de saber qual é cada cerveja.
A única cerveja de fácil identificação foi a Heineken, a qual foi acertada por 6 dos 7 participantes. Essa cerveja foi colocada de propósito neste teste, exatamente para saber se ela seria a destacada.
A Heineken não pode ser colocada no mesmo bolo que as demais cervejas deste teste, por se tratar de uma real Pilsen, ao contrário das brasileiras testadas, que tratam-se de Standard American Lagers, cervejas mais fracas e com menos amargor.
2) O marketing realizado pela indústria cervejeira de massa influencia, e muito, a decisão do consumidor.
Cervejas cohecidas como top de linha do mercado de massa, como Antarctica e Skol ficaram no último escalão da classificação deste teste cego, enquanto que Sol, Crystal e Nova Schin, comumente olhadas com preconceito e desconfiança, encontraram seu lugar entre as primeiras neste teste.
3) O nível das cervejas brasileiras é extremamente baixo e, felizmente, fizemos uma rodada com 14 garrafas trapistas pra alegria geral da nação!
Se alguém discordar dos resultados deste teste, podemos realizar uma contra prova, mas daqui a um tempinho. Não sei se tenho paciência de passar por esse processo todo novamente...
Um abraço!
Inclusive beber uma cerveja extramamente gelada é uma das maneiras de enganar o consumidor, visto que desta forma a língua fica anestesiada em decorrência da baixa temperatura do líquido ingerido, fazendo com que não se sinta plenamente o gosto da cerveja, mas isso é conversa pra outro momento.
Enfim, por causa dessa necessidade de exigir mais qualidade da cerveja foi que resolvi fazer um teste cego com as cervejas de mercado, aquelas que encontramos com grande facilidade nas prateleiras de supermercados, vemos propagandas na televisão, em jornais, etc.
A curiosidade era saber se estamos sendo preconceituosos ou levados pelo marketing agressivo das grandes cervejarias. Será que ao exigirmos que a cerveja de um churrasco seja uma Brahma, uma Bohemia ou uma Antarctica, estamos agindo de forma natural ou de forma tendenciosa? Por que não uma Cintra, uma Crystal, uma Bavaria? Será que elas são tão ruins assim? Ou será que são, somente, cervejas de menor poder de marketing agressivo e que, com isso, acabam sendo rotuladas como de pior qualidade?
Para acabar com essa dúvida, foi montado o seguinte esquema: 7 foram os voluntários a beber 12 cervejas de grande acesso no Brasil, sendo elas Antarctica, Bavaria, Bohemia, Brahma, Cintra, Crystal, Devassa, Heineken, Itaipava, Nova Schin, Skol e Sol.
Metodologia:
Foram compradas 2 latas de cada cerveja participante do teste cego. Os sete participantes, então, foram divididos em 2 grupos. O grupo 1, composto por Filipe Verissimo, André Brand, Breno Scorza e Marcos Tadeu, foi servido pelo grupo 2.
Desta maneira, foram colocados 12 copos na frente dos 4 voluntários, que beberam todas as cervejas, marcando seus atributos, tais como cristalinidade, coloração, amargor, gosto e aroma, dando uma nota geral ao final, bem como tentando adivinhar de que cerveja se tratava.
O mesmo procedimento foi adotado novamente, desta vez o grupo 2, composto por Marcelo Villela, Guilherme Bieler e João Victor, foi servido pelo grupo 1.
Características avaliadas:
Cristalinidade (cerveja cristalina ou turva) / Coloração (amarelo claro, amarelo ouro ou alaranjada) / Corpo (aguada, leve ou forte) / Amargor (amarga, alcoólica ou normal) / Aroma (bom, ruim ou alcoólico).
Eis os resultados obtidos:
Classificação por características:
Antarctica - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor leve e alcoólico, aroma ruim.
Bavaria - cerveja cristalina, de cor amarelo ouro, sabor leve e normal, aroma bom.
Bohemia - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor forte e normal, aroma bom.
Brahma - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor leve e amargo, aroma bom.
Cintra - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor leve e normal, aroma bom.
Crystal - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor leve e normal, aroma ruim.
Devassa - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor leve e normal, aroma ruim.
Heineken - cerveja cristalina, de cor amarelo ouro, sabor forte e amargo, aroma bom.
Itaipava - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor leve e normal, aroma ruim.
Nova Schin - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor aguado e normal, aroma bom.
Skol - cerveja cristalina, de cor amarelo claro, sabor aguado e normal, aroma bom.
Sol - cerveja cristalina, de cor amarelo ouro, sabor leve e normal, aroma ruim.
Classificação por nota final (média entre as notas dos 7 participantes):
1- Heineken (7,71)
2- Sol (7,25)
3- Bohemia (6,64)
4- Brahma (6,01)
5- Crystal (5,83)
6- Nova Schin (5,76)
7- Devassa (5,71)
8- Itaipava (5,67)
9- Skol (5,64)
10- Bavaria (5,50)
11- Cintra (5,36)
12- Antarctica (4,99)
Percepções:
1) A dificuldade em diferenciar as cervejas foi enorme. Elas se parecem em muitos aspectos. Pode-se criar grupos, porém entre eles fica muito complicado de saber qual é cada cerveja.
A única cerveja de fácil identificação foi a Heineken, a qual foi acertada por 6 dos 7 participantes. Essa cerveja foi colocada de propósito neste teste, exatamente para saber se ela seria a destacada.
A Heineken não pode ser colocada no mesmo bolo que as demais cervejas deste teste, por se tratar de uma real Pilsen, ao contrário das brasileiras testadas, que tratam-se de Standard American Lagers, cervejas mais fracas e com menos amargor.
2) O marketing realizado pela indústria cervejeira de massa influencia, e muito, a decisão do consumidor.
Cervejas cohecidas como top de linha do mercado de massa, como Antarctica e Skol ficaram no último escalão da classificação deste teste cego, enquanto que Sol, Crystal e Nova Schin, comumente olhadas com preconceito e desconfiança, encontraram seu lugar entre as primeiras neste teste.
3) O nível das cervejas brasileiras é extremamente baixo e, felizmente, fizemos uma rodada com 14 garrafas trapistas pra alegria geral da nação!
Se alguém discordar dos resultados deste teste, podemos realizar uma contra prova, mas daqui a um tempinho. Não sei se tenho paciência de passar por esse processo todo novamente...
Um abraço!
domingo, 29 de maio de 2011
Curso de Produção de Cerveja Caseira
Ontem, 28/05, foi um dia extremamente especial. Acompanhado pelos amigos de longa data Bruno Kuhl e Marcelo Villela, vulgos Batata e Porco, realizei o tão esperado Curso de Produção de Cerveja Caseira.
Como muitos sabem, sou um aficionado pelas cervejas importadas e artesanais. Estou, inclusive, escrevendo uma monografia sobre o assunto e um futuro nesse ramo não é algo fora das minhas espectativas, mas ainda há muito para se levar em consideração. A realização do curso pode ter sido o primeiro passo para que essa ideia comece a sair da cabeça e ir para a prática.
Nosso professor foi o Leonardo Botto, fundador e presidente da ACerva Carioca (Associação de Cervejeiros Artesanais Cariocas), também dono da Botto Bier e consultor de cervejas. O local foi um grande e belo sítio na Estrada do Joá, onde o curso se dividia na parte teórica, realizada dentro de um grande salão, e na parte prática, do lado de fora.
O início foi às 9 da manhã, pontualmente, e o término foi às 9 da noite. 12 horas ininterruptas falando e aprendendo sobre o processo produtivo caseiro de cerveja. A parte da manhã foi recheada de conhecimentos teóricos e de história da cerveja. Além disso, tivemos uma breve noção da quantidade e da diversidade de equipamentos necessários para tal. Foi o primeiro ponto de impacto. Mas tudo pode ser contornado com um pouco de criatividade e improviso.
Às 11hs tivemos nosso coffee break, recheado de linguiças, dando-se início à degustação de cervejas.
Botto levou 5 galões de chopp artesanais: uma Rauchbier (cerveja defumada, preparada pela última turma que realizou o curso), uma Pilsener, uma Pale Ale, uma Schwartzbier e uma Weizen (essas 4 preparadas por ele). Um total de 160 litros de chopp, mais as cervejas de garrafa que ainda foram distribuídas ao longo do dia.
No momento em que a água que estava na caldeira chegou à temperatura desejada, é hora de despejar os grãos de cevada que foram previamente moídos. Feito isso, fizemos a brassagem, etapa importante, onde se homogeiniza a temperatura da mistura (água e cevada), criando-se o mosto, um líquido adocicado e, obviamente, quente, parecendo um chá.
A tarde começava e a teoria continuava, sempre acompanhada de cerveja. Hora era uma de trigo, hora era uma escura de malte torrado, hora uma Pale Ale...
Botto continuou a nos explicar as centenas de milhares de variáveis que existem no processo produtivo, gerando muitas dúvidas e muitas incertezas se seria realmente viável. Mas, depois, a prática sempre vinha para dar uma aliviada na tensão e nas dúvidas que surgiam.
Resumindo: a prática é muito mais simples que a teoria. A base teórica é extremamente importante para quem quiser crescer no mercado, mas para produção caseira, um bom conhecimento da prática basta.
Começamos, então, o processo de filtragem do mosto. Ao fim desse processo, todo o cereal utilizado (seja ele cevada, trigo, arroz, aveia, milho, etc) fica depositado na panela e é retirado, ficando apenas líquido e um resíduo, que sofre uma refiltragem para ser totalmente retirado.
Após o processo de filtragem, é hora de se adicionar o(s) lúpulo(s) desejado(s) para conferir sabor, aroma e amargor. O lúpulo usado, normalmente, não é em flor, mas sim em pellets, para facilitar a absorção.
A figura do lúpulo peletizado segue abaixo, apenas a título de curiosidade.
Depois da extração das características do lúpulo, realiza-se um resfriamento, via chiller improvisado de tubo de cobre enrolado, formando uma serpentina. Entra a água fria por um lado e sai água quente pelo outro, resfriando mistura.
Depois de resfriada a mistura, é hora de retirar o líquido que já possui cor e aroma característicos. A extração é feita pela torneira existente na parte de baixo da panela, diretamente para um balde.
Depois disso, é hora de adicionar o fermento. Ali mesmo, no balde.
A fermentação é a parte mais importante da produção da cerveja e, curiosamente, é a que precisa de menos interferência humana. São as leveduras que vão trabalhar agora. Vão se alimentar dos açúcares existentes na mistura, produzindo álcool. De todo modo, é uma parte que necessidade bastante controle e atenção, a contaminação é perigosa e iminente, e existe um tempo adequado para manter a mistura fermentando. A análise da quantidade de açúcar ainda existente na mistura é necessária, pois quando acabar o açúcar, acaba o alimento das leveduras e é hora de passar para a fase de maturação.
Porém, como o processo de fermentação demora, em média, 6 ou 7 dias, teremos que esperar para saber como ficou nossa American Indian Pale Ale.
Após o término da fermentação, o período de maturação ainda levará cerca de 2 semanas, portanto somente daqui a umas 3 semanas seremos chamados pelo Mestre Cervejeiro Leonardo Botto para provarmos a receita.
Sumário do dia e do curso: o aprendizado é excelente, a vontade que fica é de começar a fazer a própria cerveja, as dúvidas ainda são muitas, mas o material de apoio e o contato do próprio Botto estão aí pra ajudar e o mais importante de tudo - ficar em pé no final não é tarefa pra qualquer um! Haja cerveja!
Muito obrigado aos amigos Porco e Batata pela companhia, mesmo que embriagada. Muito obrigado ao Leonardo Botto pelos ensinamentos.
E agora é partir pra análise de equipamentos e de lugar pra colocar essa tralha toda.
Depois é só começar a fazer nossas cervejas próprias!
sábado, 14 de maio de 2011
Vagão Beer and Food - Próxima Estação: Itaipava
Escrevo hoje sobre o melhor lugar para se tomar cerveja no estado do Rio de Janeiro, em minha opinião. Chama-se Vagão Beer and Food, localizado no Shopping Estação, em Itaipava-RJ. Talvez até existam outros lugares com uma carta tão vasta quanto ou maior, ou com mais raridades ou especialidades, mas o que vale lá é o conjunto.
Uma cerveja precisa de um bom acompanhamento para ser degustada. Não é só sair bebendo. E são poucos os lugares que conseguem combinar tão bem o que se come e o que se bebe.
Além da imensa variedade, onde encontram-se cervejas de todos os cantos do mundo: Bélgica e Alemanha lideram a lista de variedades, mas há especiais brasileiras, argentinas, uruguaias, holandesas, australianas, americanas, canadenses, gregas, lituanas, francesas, inglesas, irlandesas, mexicanas, japonesas e algumas outras.
Para acompanhar, os petiscos também são divididos por países. Pode-se pedir comidas típicas de vários países do mundo, como a carne seca acebolada brasileira, o mix de salsichas alemãs, os bolinhos de bacalhau portugueses, steaks australianos, costelas inglesas, chorizo argentino e muitos outros.
O ambiente é outro atrativo à parte. O restaurante tem uma parte "normal" e outra que simula um vagão de trem. Simula não, é um vagão de trem de verdade localizado dentro de um shopping! As mesas ficam nas laterais do vagão, com um corredor central por onde os garçons de movimentam. Esse ambiente faz toda a diferença, faz você se sentir num lugar realmente distinto, onde não se pode ir todos os dias.
O preço, como em todos os lugares que disponibilizam uma vasta carta de cervejas, é elevado, mas vale muito a pena conhecer. Esse lugar será, com certeza, visitado por mim em todas as oportunidades que tiver.
http://www.vagaobeer.com
Estrada União Indústria, 11.000 - Loja 105 A - Itaipava-RJ
ou
Avenida Lúcio Meira, 855 - Teresópolis-RJ
Uma cerveja precisa de um bom acompanhamento para ser degustada. Não é só sair bebendo. E são poucos os lugares que conseguem combinar tão bem o que se come e o que se bebe.
Além da imensa variedade, onde encontram-se cervejas de todos os cantos do mundo: Bélgica e Alemanha lideram a lista de variedades, mas há especiais brasileiras, argentinas, uruguaias, holandesas, australianas, americanas, canadenses, gregas, lituanas, francesas, inglesas, irlandesas, mexicanas, japonesas e algumas outras.
Para acompanhar, os petiscos também são divididos por países. Pode-se pedir comidas típicas de vários países do mundo, como a carne seca acebolada brasileira, o mix de salsichas alemãs, os bolinhos de bacalhau portugueses, steaks australianos, costelas inglesas, chorizo argentino e muitos outros.
O ambiente é outro atrativo à parte. O restaurante tem uma parte "normal" e outra que simula um vagão de trem. Simula não, é um vagão de trem de verdade localizado dentro de um shopping! As mesas ficam nas laterais do vagão, com um corredor central por onde os garçons de movimentam. Esse ambiente faz toda a diferença, faz você se sentir num lugar realmente distinto, onde não se pode ir todos os dias.
O preço, como em todos os lugares que disponibilizam uma vasta carta de cervejas, é elevado, mas vale muito a pena conhecer. Esse lugar será, com certeza, visitado por mim em todas as oportunidades que tiver.
http://www.vagaobeer.com
Estrada União Indústria, 11.000 - Loja 105 A - Itaipava-RJ
ou
Avenida Lúcio Meira, 855 - Teresópolis-RJ
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Belo Horizonte - Frei Tuck
Embalado pela iniciativa do meu grande amigo Bernardo Piñeiro, começo a escrever por aqui.
Já que a iniciativa foi tomada ontem à noite, nada melhor do que começar escrevendo já hoje.
Aproveitando a estadia na aprazível cidade de Belo Horizonte (a trabalho, é claro), escrevo a primeira postagem sobre cervejas... visitei o bar Frei Tuck, dica tirada de sites especializados em cervejas especiais e importadas.
Localizado em esquina agradável. A iluminação é baixa e as paredes são todas em madeira, trazendo um ambiente obscuro. O rock tocando em volume absurdamente alto foi o único ponto negativo do lugar.
Iniciei com um chop Wäls Quadrupel. Delicioso. R$10 muito bem pagos.
Para petiscar pedi um mix de lingüiças (vitela e lombo). R$22 para um petisco bem servido, bem apimentado e muito bem acompanhado por dois tipos diferentes de mostardas.
Em seguida fui para os chopes da microcervejaria Küd Bier. O primeiro foi o Witbier. Definitivamente Witbier não é meu tipo favorito de cerveja, haja visto que não gosto da tão falada e conhecida Hoegaarden. Tem leveza em demasia, um gosto suave de tangerina lá no fundo que não consegue salvar o quase aguado desse chope. R$3,90 – pelo menos não foi caro. O segundo pit stop foi o Kashmir. Esse sim! Malte pouco torrado, amargor interessante e espuma que deixa aquele gosto de “quero o próximo gole”. Muito bom, extremamente recomendado. R$4,90 muito bem alocados.
Pra terminar a noite na capital mineira, nada melhor do que prestigiar o estado mineiro com a pedida de uma Backer de trigo. Certamente as cervejas de trigo são as que mais me agradam e o fim da noite no Frei Tuck estava pedindo uma nesse estilo. Cerveja suave, com aromas frutados, muito gostosa. Recomendada. R$7.90 muito bem gastos.
Enfim, uma noite muito agradável. Agora é hora de dormir porque amanhã tem trabalho pra fazer...
Segue a dica: Frei Tuck - Avenida do Contorno, 5757 - Savassi - Belo Horizonte - MG
Segue a dica: Frei Tuck - Avenida do Contorno, 5757 - Savassi - Belo Horizonte - MG
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